Exhibition
(1997-2097)
26 Sep 2025 – 22 Nov 2025
Regular hours
- Monday
- Closed
- Tuesday
- 10:00 – 18:00
- Wednesday
- 10:00 – 18:00
- Thursday
- 10:00 – 18:00
- Friday
- 10:00 – 18:00
- Saturday
- 10:00 – 18:00
- Sunday
- 10:00 – 18:00
Timezone: Europe/Lisbon
Free admission
- Language: Portuguese
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É um intervalo muito breve no tempo: desde uma quarta-feira de maio de 97 até à
comemoração do meu centenário - acontecimento em menos de um zeptosegundo
de um suspiro da Terra.
About
O tempo é a nossa unidade de medida mais valiosa, que limita as ações e baliza as
dúvidas no que diz respeito à nossa percepção, quando embate com o mundo. Esta
autobiografia, que é apresentada em papel, nada tem de misteriosa para quem já cá
anda há muito tempo. Nada mais é do que a beleza do declínio, o anúncio do fim,
o purgatório das almas puras.
A espera do sol, tal como a grandiosidade das montanhas, foi concebida para ser mastigada com tranquilidade, assim como os interesses humanos devessem ser manifestamente hospitaleiros com a publicidade desmentida e inequívoca das seivas latejantes entre o nosso corpo e as madeiras. Apresenta-se, aqui, um retrato das infestantes desassossegadas e teimosas que rompem o solo ao passo que «des-tranquilizam» e acordam os pássaros. Ano após ano, ressurgem as longas pausas de descanso e "tirar férias da vida" passa a ser imperativo durante praticamente meio ano. Descansar e paz não são sinónimos, mas sim objectivos orientadores para quem teme que a vida mude e se adiante no último acto ao improviso. Mesmo com a coevolução das plantas, ainda nós, seguimos na iminente evolução, contudo uma tardia promessa de fazermos mais para lá do nosso tempo negligente. A pintura conta como um resgate da representação da queda e uma homenagem retros péctica de pouco mais de um quarto do que comi do mundo, tanto de secas como de inundações. Assim com Cesare Pavese dizia que a montanha não toca mais no céu, agora, aqui camuflamos o medo e enterramos o sol.